Lixo
eleitoral e apodrecimento da inteligência
Vicente de Paula
Esse domingo vou justificar meu voto, de
certa forma vou me eximir da responsabilidade de eleger mais um verdugo para o
povo do pobre município de Timon - Maranhão. Que é muito mais
embrutecido pela miséria e ignorância que os teresinenses. Pelo menos não estou
anulando meu voto, quando há opções. Essa conversa de anular voto pra
deslegitimar políticos, todos sabemos que não vai dar em nada no nosso sistema
eleitoral vigente. Basta passar os olhos pela Constituição. Por isso que sorte
a dos teresinenses, pois eles pelo menos têm opções... Em Timon só catástrofes
em forma de candidatos. Sim! Reafirmo que alguns partidos de esquerda em
Teresina - PSOL, PSTU... e similares desconhecidos, ainda são uma opção ao
velho esquema PSDP/PT e suas corjas respectivas (PSB, PTB, DEM, PMDB, PV...).
Aqui em Brasília ainda tive um
privilégio de não ser torturado com a poluição visual e sonora que é impingida
ao resto da população. A revolta beira as raias da loucura quando paramos para
analisar os gastos das campanhas. Quem quiser ter noções numéricas do lixo caro
que é produzido, pode conferir nesta matéria da Globo News http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/v/tse-faz-levantamento-sobre-lixo-produzido-por-campanhas/2172578/ Eu
não vou me martirizar reproduzindo esses dados que aumentam a indignação. Até porque sabemos bem, que o lixo das
campanhas não se resume a sujeirada com papel, mas principalmente ao papelão
dos candidatos com suas propostas vazias e seus acordões. Sabemos também que este
lixo eleitoral sai bem mais caro do que 1 bilhão de reais declarados ao TSE. Se
refletimos um pouco mais percebemos que a maioria dos
candidatos ainda exorbitam esses valores, na surdina, com seus “caixas 2”, financiados
por empresas corruptas que cobrarão esses pequenos investimentos em licitações
grandiosas e fraudulentas. É tão sujo o tradicional jogo do poder.
Doloroso mesmo é perceber que o povo
miserável não se dá conta destes detalhes, não porque seja ignorante pura e
simplesmente, mas porque são massacrados por horas de trabalho exaustivo. São
negligenciados pela prestação de serviços estatais quase inexistentes, dentre eles
um dos mais essenciais e maltratados: a agonizante educação pública. A falta de
instrução empurra a maioria dessas pessoas a venderem seus votos pelas coisas
mais pífias que se possa imaginar. E fazem isso não por ingenuidade, pois no
fundo sabem os picaretas que elegem, mas pela necessidade que os obriga mendigarem
um salário de fome ou qualquer outra coisa que precisem para manter um pouco de
dignidade em suas famílias. Essa troca perversa, no entanto, dificilmente vai
restaurar esta dignidade fragilizada. Pois eleger gestores mafiosos produz um
estado decrépito que cada vez mais vai arrancar esse resquício de dignidade que
lutam para preservar.
A sensação de piedade existe, mas não
suplanta a incompreensão raivosa que faz essas pessoas permanecerem tão
alienadas. O que justifica, por exemplo, as pessoas votarem aleatoriamente
baseadas apenas nas pesquisas?! Talvez resposta se encontre nas teorias da
espiral do silêncio, da cientista política alemã Elizabeth Noelle-Neuman, que
basicamente diz que um indivíduo para não ser excluído dos demais acompanha a
opinião da maioria. O medo do ostracismo justifica esse pensamento cretino?!
Pra mim não! Um povo covarde, que não ousa destoar do coro dos contentes e
relega o seu poder cidadão ao primeiro vigarista que se arroga “paizinho” ou
“mãezinha” merece uma sina sofrida. Como diria Brecht, “infeliz o país que
precisa de heróis”.
Realmente não sei por que esse
paternalismo mórbido resiste no Brasil. De fato as possibilidades são escassas,
mas elas ainda resistem. Não sei se a “esquerda alternativa” é a solução para
os nossos problemas. Mas certamente dos males, talvez seja o menor. Infelizmente
eleger candidatos assim, parece mais uma questão de sorte do que de real
convicção política. Mas sorte mesmo têm os cariocas que vislumbram outras
alternativas com Marcelo Freixo. Infelizmente no Piauí/Maranhão e a maior parte
do Brasil, a desinformação que assola o povo, causada por uma educação precária
e uma mídia vendida, não permite que se conheça tais alternativas. E os
eruditos intelectuais que possuem esse discernimento ou são vendidos, ou
anárquicos demais; perdem-se em suas polêmicas chochas e reclamações vazias,
que sem duvida trazem importantes críticas, mas nenhuma solução aparente. A
inteligência e o poder de análise crítico estão em putrefação! Daí as
possibilidades reais de vitória da "esquerda alternativa" serem mínimas,
e as injustiças continuarem massacrando a minha gente humilde e burra, que
confunde a urna eletrônica com uma lixeira vulgar! Também serei massacrado, mas
por “sorte” não estou depositando lixo nas urnas nestas eleições.
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