Trarte

domingo, 7 de outubro de 2012


Lixo eleitoral e apodrecimento da inteligência

Vicente de Paula

Esse domingo vou justificar meu voto, de certa forma vou me eximir da responsabilidade de eleger mais um verdugo para o povo do pobre município de Timon - Maranhão.  Que é muito mais embrutecido pela miséria e ignorância que os teresinenses. Pelo menos não estou anulando meu voto, quando há opções. Essa conversa de anular voto pra deslegitimar políticos, todos sabemos que não vai dar em nada no nosso sistema eleitoral vigente. Basta passar os olhos pela Constituição. Por isso que sorte a dos teresinenses, pois eles pelo menos têm opções... Em Timon só catástrofes em forma de candidatos. Sim! Reafirmo que alguns partidos de esquerda em Teresina - PSOL, PSTU... e similares desconhecidos, ainda são uma opção ao velho esquema PSDP/PT e suas corjas respectivas (PSB, PTB, DEM, PMDB, PV...).
Aqui em Brasília ainda tive um privilégio de não ser torturado com a poluição visual e sonora que é impingida ao resto da população. A revolta beira as raias da loucura quando paramos para analisar os gastos das campanhas. Quem quiser ter noções numéricas do lixo caro que é produzido, pode conferir nesta matéria da Globo News http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/v/tse-faz-levantamento-sobre-lixo-produzido-por-campanhas/2172578/ Eu não vou me martirizar reproduzindo esses dados que aumentam a indignação.  Até porque sabemos bem, que o lixo das campanhas não se resume a sujeirada com papel, mas principalmente ao papelão dos candidatos com suas propostas vazias e seus acordões. Sabemos também que este lixo eleitoral sai bem mais caro do que 1 bilhão de reais declarados ao TSE. Se refletimos um pouco mais percebemos que a maioria dos candidatos ainda exorbitam esses valores, na surdina, com seus “caixas 2”, financiados por empresas corruptas que cobrarão esses pequenos investimentos em licitações grandiosas e fraudulentas. É tão sujo o tradicional jogo do poder.  
         Doloroso mesmo é perceber que o povo miserável não se dá conta destes detalhes, não porque seja ignorante pura e simplesmente, mas porque são massacrados por horas de trabalho exaustivo. São negligenciados pela prestação de serviços estatais quase inexistentes, dentre eles um dos mais essenciais e maltratados: a agonizante educação pública. A falta de instrução empurra a maioria dessas pessoas a venderem seus votos pelas coisas mais pífias que se possa imaginar. E fazem isso não por ingenuidade, pois no fundo sabem os picaretas que elegem, mas pela necessidade que os obriga mendigarem um salário de fome ou qualquer outra coisa que precisem para manter um pouco de dignidade em suas famílias. Essa troca perversa, no entanto, dificilmente vai restaurar esta dignidade fragilizada. Pois eleger gestores mafiosos produz um estado decrépito que cada vez mais vai arrancar esse resquício de dignidade que lutam para preservar.
         A sensação de piedade existe, mas não suplanta a incompreensão raivosa que faz essas pessoas permanecerem tão alienadas. O que justifica, por exemplo, as pessoas votarem aleatoriamente baseadas apenas nas pesquisas?! Talvez resposta se encontre nas teorias da espiral do silêncio, da cientista política alemã Elizabeth Noelle-Neuman, que basicamente diz que um indivíduo para não ser excluído dos demais acompanha a opinião da maioria. O medo do ostracismo justifica esse pensamento cretino?! Pra mim não! Um povo covarde, que não ousa destoar do coro dos contentes e relega o seu poder cidadão ao primeiro vigarista que se arroga “paizinho” ou “mãezinha” merece uma sina sofrida. Como diria Brecht, “infeliz o país que precisa de heróis”.
Realmente não sei por que esse paternalismo mórbido resiste no Brasil. De fato as possibilidades são escassas, mas elas ainda resistem. Não sei se a “esquerda alternativa” é a solução para os nossos problemas. Mas certamente dos males, talvez seja o menor. Infelizmente eleger candidatos assim, parece mais uma questão de sorte do que de real convicção política. Mas sorte mesmo têm os cariocas que vislumbram outras alternativas com Marcelo Freixo. Infelizmente no Piauí/Maranhão e a maior parte do Brasil, a desinformação que assola o povo, causada por uma educação precária e uma mídia vendida, não permite que se conheça tais alternativas. E os eruditos intelectuais que possuem esse discernimento ou são vendidos, ou anárquicos demais; perdem-se em suas polêmicas chochas e reclamações vazias, que sem duvida trazem importantes críticas, mas nenhuma solução aparente. A inteligência e o poder de análise crítico estão em putrefação! Daí as possibilidades reais de vitória da "esquerda alternativa" serem mínimas, e as injustiças continuarem massacrando a minha gente humilde e burra, que confunde a urna eletrônica com uma lixeira vulgar! Também serei massacrado, mas por “sorte” não estou depositando lixo nas urnas nestas eleições.

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