Trarte

domingo, 23 de setembro de 2012


Especulação traz muita revolta, mas esperanças também!


Vicente de Paula

Mais do que tocar esse filme penetrou não só em mim, mas de todo o público que aplaudiu de pé por alguns minutos o curta-metragem “A ditadura da especulação” dirigido por Zé Furtado e produzido pelo Centro de Mídia Independente do Distrito Federal – CMI/DF e  Coletivo Muruá, exibido na mostra competitiva do 45° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
O filme, nos créditos iniciais, deixou claro que esta produção não teve nem um patrocínio e esclareceu também que a equipe apoiou os hackers que invadiram o site da secretaria de cultura do GDF, como também defende a pirataria e a livre distribuição da cultura sem amarras mercadológicas. Desde já percebemos que o filme não é uma grande produção tradicional preocupada com estética (fotografia, som, montagem, edição e outros detalhes técnicos).
Carregadas de subversão, as imagens tem sabor jornalístico ácido, e são quase amadoras, devido à dificuldade de gravar, pois os cinegrafistas eram frequentemente agredidos e impedidos de documentar a tanta barbárie. Mesmo arriscadamente conseguiram captar as manifestações de estudantes e índios contra a construção do bairro Noroeste em terras indígenas: “Santuário do Pajé.” A brutalidade com que seguranças e polícia atacam estes jovens e índios, “armados” apenas com pedaços de paus e eventualmente arcos é absurda. As cenas são épicas: Uma multidão de policiais militares para agir implacavelmente contra cerca de 40 jovens, dos quais alguns se atiravam na frente de escavadoras e recebiam muita porrada e spray de pimenta. Isso tudo estimulou uma revolta na plateia que fez com que o filme fosse aclamadíssimo antes durante e depois de sua exibição.
Para mim a emoção ultrapassou os limites da indignação. Sobretudo porque estas questões são frequentemente discutidas nos encontro de Comunicação Social que participo: os ENECOMs e afins por aí a fora. Então a identificação foi imediata. Nas manifestações que participo nunca tive a má sorte de apanhar da polícia, ou levar spray de pimenta direto nos olhos. Mas vários são os amigos espancados e até presos em mobilizações deste tipo. Então eu via meus amigos ali, eu me via ali, pois certamente se fôssemos candangos, também estaríamos defendendo aquela gente e aquela mata. Quando em dado momento do filme os estudantes cantaram “Pisa Ligeiro! Pisa Ligeiro! Quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro.” Lembrei na hora de quantas e quantas vezes já não cantamos isto?! Realmente o filme-denúncia que vale apena ser visto e que desperta na gente uma vontade de lutar cada vez mais por justiça social! Quando o filme acabou e percebi que todos, to-dos e não só os bons e velhos de guerra estudantes aplaudiam e gritavam por minutos “Santuário não se move! Santuário não se move!” Neste momento cresceu em mim uma esperança em meus sonhos e na humanidade.

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