Especulação
traz muita revolta, mas esperanças também!
Vicente de Paula
Mais
do que tocar esse filme penetrou não só em mim, mas de todo o público que
aplaudiu de pé por alguns minutos o curta-metragem “A ditadura da especulação” dirigido por Zé Furtado e produzido pelo
Centro de Mídia Independente do Distrito Federal – CMI/DF e Coletivo
Muruá, exibido na mostra competitiva do 45° Festival de Brasília do Cinema
Brasileiro.
O
filme, nos créditos iniciais, deixou claro que esta produção não teve nem um
patrocínio e esclareceu também que a equipe apoiou os hackers que invadiram o
site da secretaria de cultura do GDF, como também defende a pirataria e a livre
distribuição da cultura sem amarras mercadológicas. Desde já percebemos que o
filme não é uma grande produção tradicional preocupada com estética (fotografia,
som, montagem, edição e outros detalhes técnicos).
Carregadas
de subversão, as imagens tem sabor jornalístico ácido, e são quase amadoras,
devido à dificuldade de gravar, pois os cinegrafistas eram frequentemente agredidos
e impedidos de documentar a tanta barbárie. Mesmo arriscadamente conseguiram
captar as manifestações de estudantes e índios contra a construção do bairro
Noroeste em terras indígenas: “Santuário do Pajé.” A brutalidade com que
seguranças e polícia atacam estes jovens e índios, “armados” apenas com pedaços
de paus e eventualmente arcos é absurda. As cenas são épicas: Uma multidão de
policiais militares para agir implacavelmente contra cerca de 40 jovens, dos
quais alguns se atiravam na frente de escavadoras e recebiam muita porrada e
spray de pimenta. Isso tudo estimulou uma revolta na plateia que fez com que o
filme fosse aclamadíssimo antes durante e depois de sua exibição.
Para
mim a emoção ultrapassou os limites da indignação. Sobretudo porque estas
questões são frequentemente discutidas nos encontro de Comunicação Social que participo:
os ENECOMs e afins por aí a fora. Então a identificação foi imediata. Nas
manifestações que participo nunca tive a má sorte de apanhar da polícia, ou
levar spray de pimenta direto nos olhos. Mas vários são os amigos espancados e
até presos em mobilizações deste tipo. Então eu via meus amigos ali, eu me via
ali, pois certamente se fôssemos candangos, também estaríamos defendendo aquela
gente e aquela mata. Quando em dado momento do filme os estudantes cantaram “Pisa
Ligeiro! Pisa Ligeiro! Quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro.” Lembrei
na hora de quantas e quantas vezes já não cantamos isto?! Realmente o
filme-denúncia que vale apena ser visto e que desperta na gente uma vontade de
lutar cada vez mais por justiça social! Quando o filme acabou e percebi que
todos, to-dos e não só os bons e velhos de guerra estudantes aplaudiam e
gritavam por minutos “Santuário não se move! Santuário não se move!” Neste
momento cresceu em mim uma esperança em meus sonhos e na humanidade.

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