Toda
nudez de Ney é recompensadora em Olho Nu!
Vicente Paula
Vivo comentando que Ney Matogrosso é o melhor cantor/intérprete que temos. Pois ele conegue ter a
afinação de Elis Regina e o estilo performático de Maria Bethânia num corpo
másculo, magérrimo e divinamente endiabrado. Sua personalidade sempre me
inspirou os instintos mais selvagens e poéticos. Esses instintos afloraram mais
ainda depois de assistir o documentário longa-metragem sobre sua trajetória, Olho Nu, de Joel Pizzini em parceria com
Paloma Rocha e o Canal Brasil que faz parte da Mostra Competitiva do 45°
Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e foi exibido nesta noite de sábado.
A
lógica tradicional e linear não existe aqui. As histórias apesar de serem contadas
aleatoriamente, pelo próprio Ney, estão coerentemente interligadas. Esporadicamente vemos depoimentos da mãe, de
algum artista, como Cazuza ou outra pessoa ligada a sua intimidade. O
interessante é que a maioria das falas do “Ney de hoje” são em off. Ao narrar algum
episódio aparece uma imagem sua antiga, um clipe, lugar... Lembro de raros momentos em que o Ney atual
está de frente pra câmara falando de si, a maioria são imagens de entrevistas suas
em TVs, muitos videoclipes, imagens de acervo pessoal... Enfim um festival de
preciosidades da sua vida e carreira, que vai desde antes de Secos e Molhados,
passando pela sua vida no mato, no mar, na selva de pedra... até seus profícuos dias atuais.
Ele
fala e canta de tudo neste filme. Conta-nos sobre sua infância, adolescência,
carreira, dinheiro, androginia, sexo, drogas, Brasília, Rio, São Paulo, a
natureza, a espiritualidade... Tudo isso com as frases mais criativas, ousadas
e divertidas que só mesmo Ney poderia dizer. Uma delas: “Eu uso e abuso de
todos os lados!” Outra hilária é quando ele vai se confessar na sua 1ª comunhão
e o padre que pergunta se ele já havia feito saliências com meninos ou com
meninas. Ele prontamente responde que não com nenhum dos dois, mas depois fica
pensando que se o padre havia mencionado meninos, então é porque se faz
saliências com meninos. Essas e mais um monte compõe as peculiares histórias de
Ney. A musicalidade dele também é diversa: do rock aos cantores do rádio, ele
passeia pela versatilidade da nossa música, variando não só os estilos
musicais, mas também suas apresentações ao público.
Assistir
Olho Nu é uma surpresa a todo minuto.
Não sabemos se ele vai vir emplumado, purpurinado, com maquiagem carregada, ou
se vem charmosamente bandoleiro, ou malandramente formal... ou simplesmente nu.
Ney é o que quer ser sem se preocupar com julgamentos e explicações. Nem o seu
fiel público escapa do imperativo da sua vontade. Quando todos babamos e acreditamos
cegamente em cada palavra cantada, ele
vem com: “ Vocês pensam que eu acredito em tudo que eu canto?! Não acredito não!”
Se referindo especificamente a música Medo de Amar, de Vinícius de Moraes http://www.youtube.com/watch?v=d3UZsxzdgCI
No trecho “E compreender que o ciúme é o
perfume do amor” ele nos revela que pensa que o ciúme é o inferno do amor. O
prazer dele, para nosso deleite, é subverter! E toda a ousadia deste homem que
tem a audácia de rebolar é inspiradora. Dá uma vontade de fazer todas as
revoluções do mundo. De ser Dzi Croquettes, Pagú, de ser Ney... Oh Meu Deus e
agora?! Lembrei que sou gordo! Não tem problema! A coragem emanada de Ney transcende
todos os limites! Besos!

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